PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA, JOÃO MANUEL GONÇALVES LOURENÇO
PALÁCIO PRESIDENCIAL, 19 DE OUTUBRO DE 2026
“ Senhora Presidente Netumbo Nandi-Ndaitwah;
Senhores membros da delegação da Namíbia e da delegação de Angola;
Temos o privilégio de receber, no nosso solo pátrio, para cumprir uma visita de Estado, a Presidente da República da Namíbia, com quem estamos a trabalhar desde as primeiras horas do dia de hoje. Primeiro num tête-à-tête e depois num trabalho entre as duas delegações.
Falar das relações entre Angola e a Namíbia é falar dos laços de irmandade e de amizade entre dois povos que muito se querem. E é esta relação de irmandade e amizade que serve de uma base sólida, um alicerce para a construção dos laços de cooperação económica que vimos construindo e que queremos consolidar.
Daí o facto de termos evoluído de uma Comissão Mista Bilateral entre os dois Estados para uma Comissão Binacional. Portanto, um outro estádio mais elevado de organização da cooperação entre dois países.
Foi realizada a primeira sessão dessa Comissão Binacional, cuja acta, na presença dos dois Chefes de Estado, foi aprovada no final desta manhã.
Nós pretendemos, nessa cooperação económica entre os dois países, privilegiar algumas áreas sem prejuízo de outras. Portanto, quero dizer que todas estão em aberto.
Gostaríamos de privilegiar o sector da Energia e Águas, sobretudo com a possibilidade da ligação da rede energética de Angola à rede energética da SADC ou da África Austral, com objectivo de partilhar a infra-estrutura energética de produção que Angola tem partilhada com os países irmãos da África Austral, nomeadamente a própria Namíbia, a África do Sul, o Botswana, o Zimbabwe e, eventualmente, mais algum país que se queira juntar a esse esforço.
A nível do continente, temos lutado bastante pela integração de infra-estruturas. Cada país não tem que fazer tudo. Se alguém tem capacidade de vender produtos e serviços aos países vizinhos, deve fazê-lo no quadro dessa mesma integração.
Portanto, é nesse quadro que se encaixa perfeitamente essa nossa intenção de partilharmos a energia produzida em Angola com os países irmãos da África Austral.
Em relação à água, Angola está a viver uma experiência de construção de barragens de armazenamento de água e canais para servir as populações, o gado e a agricultura.
No Sul de Angola, temos um programa que abrange pelo menos três províncias do país, nomeadamente a Huíla, o Cunene e o Namibe, tem mais ou menos as mesmas características do Norte da Namíbia. São áreas bastante áridas e que, em determinadas épocas do ano, sofrem de seca severa, que põe em risco a vida de pessoas, a vida do gado e inviabiliza a produção agrícola.
Nós, Angola, dissemos aos nossos irmãos namibianos que estamos abertos a partilhar essa experiência que é recente, mas que, confirmamos, tem dado resultados satisfatórios e que garante, portanto, a superação das dificuldades criadas pelas secas severas.
Temos vindo, igualmente, a partilhar a experiência que Angola tem na pesquisa e produção do petróleo. Como sabem, a Namíbia hoje entrou para o clube dos países produtores do petróleo, embora efectivamente não tenha começado ainda a produzir, mas isso vai acontecer.
E Angola já tem vindo a cooperar com a Namíbia, a partilhar a longa experiência que tem no domínio da pesquisa, da produção e da comercialização do petróleo. Mas convidamos também a Namíbia a integrar a estrutura accionista da nossa grande Refinaria do Lobito, que terá a capacidade, quando concluídos os trabalhos de construção, de produzir 200 mil barris por dia de refinados do petróleo (diesel, gasolina e outros derivados).
Com esta capacidade, nós estaremos em condições não apenas de satisfazer o mercado angolano em refinados, como também de satisfazer as necessidades dos países vizinhos – evidentemente aqueles que, prioritariamente, forem accionistas, forem donos da refinaria, sem prejuízo de podermos também comercializar o mesmo produto para outros clientes aqui da nossa região da África Austral.
Nós vamos trabalhar também em outros domínios da nossa economia.
Falando da produção de energia, há um velho projecto que precisamos de dar vida para que efectivamente arranque. Estou a falar da Barragem Hidroelétrica de Byanes, que é um projecto binacional – Angola-Namíbia – para produzir energia a ser consumida pelos dois países.
Vimos outros aspectos que consideramos importantes da nossa cooperação.
Obviamente que há possibilidade de angolanos investirem na Namíbia e, de igual forma, namibianos investirem em Angola, nos mais diferentes domínios da nossa economia.
Eu dizia há pouco à Senhora Presidente Netumbo Nandi que nós temos no nosso país investidores oriundos das mais diferentes partes do mundo, que se instalaram em Angola. Não se limitam a vender produtos a Angola, mas instalaram-se em Angola e produzem bens de consumo aqui no território angolano.
Gostaríamos de ver também investidores namibianos a fazerem o mesmo e o contrário também é verdadeiro, ver investidores angolanos produzirem e a comercializarem bens de consumo na Namíbia.
Mais uma vez, Senhora Presidente Netumbo Nandi, sinta-se em casa!
Sabemos que a visita é curta, é de apenas dois dias.
Esta tarde vai ter a oportunidade de falar para os nossos deputados à Assembleia Nacional. Ainda hoje, terá o Fórum Empresarial, onde os empresários dos dois países se vão encontrar para se conhecerem, para trocarem experiências, para fazerem parcerias e começarem a tornar realidade isso que eu acabo de dizer.
Amanhã terá um contacto com uma empresa nacional, a Refinaria de Luanda, para que possa começar já a referir a importância dos nossos países não exportarem as nossas riquezas em bruto e procurarem transformá-los localmente, acrescentando valor e dando emprego às nossas populações.
Estou a referir-me ao petróleo que temos habitualmente exportado na sua forma bruta. Mas hoje, nos dias de hoje, com as guerras na Europa e no Médio Oriente, no Golfo Pérsico, aprendemos todos, talvez tarde, que quem tem petróleo tem que ter refinarias, tem que concluir o trabalho, não pode ficar como produtor de petróleo simplesmente, porque tem que refinar, até porque há quem não tenha petróleo, não exporte o petróleo e tenha refinarias.
Portanto, nós, os produtores de petróleo, por maioria de razão, temos que prestar muita atenção à necessidade de vendermos cada vez menos petróleo bruto e passarmos a vender muito mais o petróleo já refinado – os produtos saídos da refinação do petróleo.